Bispo de Antuérpia diz confiar em Leão XIV para uma solução sobre homens casados; até agora, porém, Roma não anunciou qualquer autorização
O bispo de Antuérpia, Johan Bonny, voltou a defender publicamente a ordenação de homens casados e afirmou confiar que uma solução possa ser encontrada até o encerramento do atual processo sinodal, previsto para 2028.
Em entrevista à Herder Korrespondenz, repercutida nesta segunda-feira pelo katholisch.de, Bonny declarou esperar que “uma regulamentação adequada” seja encontrada até o fim do processo. Acrescentou que, se isso não ocorrer, haveria um golpe grave na “credibilidade” e na implementação de todo o caminho sinodal.
A formulação é significativa porque transforma uma questão disciplinar concreta em medida de sucesso do processo sinodal. Em vez de tratar a hipótese dos viri probati como tema submetido ao discernimento da autoridade da Igreja, Bonny a apresenta como expectativa cuja frustração comprometeria a própria credibilidade do processo.
O bispo já havia anunciado que pretende ordenar homens casados até 2028 e, em setembro, revelou que começou a formar candidatos. O novo elemento agora é sua confiança explícita de que Leão XIV permitirá algum tipo de solução até essa data.
Bonny afirma que o Papa tem atuado como “construtor de pontes” e que um bom pai sabe que filhos diferentes podem precisar de soluções diferentes. Também sustenta que outros bispos, especialmente em regiões de forte escassez sacerdotal, compartilham da mesma preocupação.
Até o momento, contudo, Leão XIV não anunciou nenhuma autorização para que dioceses latinas passem a ordenar homens casados como política ordinária. A disciplina do celibato sacerdotal permanece vigente na Igreja latina.
É importante distinguir os planos. O celibato dos presbíteros no rito latino é disciplina eclesiástica, não dogma; por isso, em tese, pode ser regulado pela autoridade competente. Mas justamente por ser disciplina da Igreja universal, sua alteração não decorre automaticamente de pressões locais, de experimentos diocesanos ou de expectativas associadas a um processo sinodal.
A tentativa de vincular a mudança à “credibilidade” da sinodalidade revela uma tensão mais ampla. Uma coisa é a escuta pastoral sobre carência de sacerdotes; outra é transformar determinado resultado disciplinar em condição para considerar o processo sinodal bem-sucedido.
Em perspectiva conservadora, a prudência exige a ordem inversa: primeiro vem a continuidade da disciplina recebida, o discernimento da Igreja universal e a autoridade pontifícia; depois, se for o caso, adaptações devidamente autorizadas. O processo sinodal não pode funcionar como mecanismo de pressão para produzir conclusões previamente desejadas.
Bonny também afirmou ter levado a Roma, em junho, uma carta da Conferência Episcopal Belga apoiando sua preocupação e disse que conversou com autoridades vaticanas e com o Secretariado do Sínodo. Isso confirma que o tema está sendo levado aos organismos competentes — mas não equivale a autorização.
O desenvolvimento de 28 de setembro, portanto, não é uma decisão de Roma, mas uma nova etapa da pressão episcopal por mudança disciplinar. A diferença é essencial para que expectativa pessoal, agenda sinodal e decisão pontifícia não sejam apresentadas como se fossem a mesma coisa.
Fontes e documentos
– katholisch.de, “Weihe von ‘Viri probati’: Bischof Bonny vertraut auf Papst Leo XIV.”, 28/09/2026. https://katholisch.de/artikel/70521-weihe-von-viri-probati-bischof-bonny-vertraut-auf-papst-leo-xiv
– Herder Korrespondenz, edição de outubro de 2026, entrevista com Johan Bonny.
– katholisch.de, entrevista anterior com Johan Bonny sobre a ordenação de homens casados, 2026. https://katholisch.de/artikel/67956-bischof-bonny-zu-priesterweihe-verheirateter-will-nicht-provozieren
Imagem: Debate sobre viri probati e processo sinodal — reconstrução editorial. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


