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Brasil: após carta eleitoral de bispos, Dom Flávio Giovenale pede respeito aos eleitores derrotados — Igreja e política voltam ao debate

Dom Flávio Giovenale defende diálogo com os eleitores da oposição após carta assinada por bispos; entrevista não representa posição plenária da CNBB.
Catedral de Nossa Senhora da Glória em Cruzeiro do Sul, Acre, fotografada em 2010; imagem contextual, não da entrevista do bispo.

Bispo de Cruzeiro do Sul afirma que reeleito deve ouvir a oposição e distingue avaliação pessoal da carta coletiva de bispos.

O bispo de Cruzeiro do Sul, no Acre, Dom Flávio Giovenale, pediu respeito aos brasileiros que votaram no candidato derrotado na eleição presidencial de 25 de outubro de 2026. A posição apareceu em entrevista ao veículo italiano Tra Cielo e Terra, repercutida pela ANSA em 28 de outubro e pela ACI Digital em 29 de outubro.

O prelado, salesiano de origem italiana, avaliou positivamente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que o presidente deverá governar para toda a população e ouvir os cerca de 60 milhões de brasileiros que escolheram Flávio Bolsonaro. Ressaltou que os eleitores da oposição não podem ser identificados indistintamente com extremismos: muitos, segundo ele, são pessoas de bem, com outras perspectivas políticas e preocupações concretas, como a segurança pública.

As declarações ganham relevo porque Dom Giovenale figura entre os signatários de uma carta de bispos publicada em 23 de outubro pela Comissão Pastoral da Terra, às vésperas do segundo turno. O texto coletivo apresentou avaliação fortemente crítica a uma das candidaturas e convocou os fiéis a discernir o voto à luz da Doutrina Social da Igreja.

Há uma diferença importante de autoridade e gênero: a carta foi assinada por um grupo de bispos, não constitui pronunciamento do conjunto do episcopado brasileiro nem substitui o magistério da Igreja; a entrevista posterior expressa as avaliações pessoais de Dom Giovenale. Nenhuma das duas deve ser confundida com uma norma doutrinal nova ou com uma declaração plenária da CNBB.

O debate remete à relação entre prudência política e princípios morais estáveis. Os fiéis católicos podem discordar de políticas e candidatos sem que a mera opção partidária constitua critério suficiente para julgar a integridade religiosa de uma pessoa. Também cabe aos pastores distinguir a aplicação prudencial da Doutrina Social da Igreja de princípios que não dependem de resultado eleitoral.

O novo elemento desta pauta é a entrevista e o apelo ao diálogo após a votação; não se trata de nova carta ou intervenção institucional publicada em 2 de novembro.

Fontes

ANSA Brasil, entrevista repercutida em 28/10/2026: https://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/vaticano/2026/10/28/bispo-na-amazonia-avalia-eleicao-de-lula-como-positiva-e-defende-dialogo-com_0046a696-ebb0-4d34-9b96-08acc0d09259.html

ACI Digital, reportagem de 29/10/2026: https://www.acidigital.com/noticia/70653/eleitores-de-flavio-sao-pessoas-de-bem-diz-bispo-que-assinou-carta-de-apoio-a-lula

Comissão Pastoral da Terra, carta coletiva e assinaturas, 23/10/2026: https://cptnacional.org.br/2026/10/23/carta-bispos-catolicos-povo-deus/

Imagem: A catedral da Diocese de Cruzeiro do Sul, no Acre, fotografada em 2010. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.

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