Relatório oficial propõe alterações canônicas, mas críticos veem risco de separar potestade de governo e ordem sagrada
Canonistas começaram a contestar publicamente parte das propostas apresentadas pela Comissão Canônica do Sínodo para modificar normas do Código de Direito Canônico relativas ao governo eclesiástico, participação dos fiéis e prestação de contas.
O dominicano Pius Pietrzyk e o padre Gerald Murray criticaram especialmente a possibilidade de ampliar o exercício de funções de governo por fiéis leigos, argumentando que certas formulações poderiam enfraquecer o vínculo entre potestade de governo e ordem sagrada.
As críticas devem ser distinguidas do status jurídico das propostas. O relatório publicado pela Secretaria Geral do Sínodo é um documento de estudo e não constitui reforma normativa já promulgada.
A própria Comissão Canônica informa que seu objetivo é traduzir em possibilidades jurídicas algumas intuições do processo sinodal e separar matérias de curto, médio e longo prazo.
O relatório oficial prevê propostas de modificação em dezenas de cânones e também reconhece questões que exigem aprofundamento teológico e canônico adicional.
O debate, portanto, está aberto: de um lado, críticos apontam risco doutrinal e eclesiológico; de outro, o documento sinodal apresenta as mudanças como propostas para favorecer corresponsabilidade, participação e prestação de contas sem afirmar que todas elas já estejam aprovadas.
Fontes
Secretaria Geral do Sínodo — Relatório Final da Comissão Canônica
InfoVaticana — críticas de Pius Pietrzyk e Gerald Murray
Imagem: Canonistas discutem propostas da Comissão Canônica do Sínodo. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


