Linnenborn descreve revisão prospectiva para 2033; tradução da fórmula «pro multis» ainda não foi votada ou aprovada.
A revisão do Missal em língua alemã, atualmente em preparação, reacendeu a controvérsia sobre fidelidade ao texto latino e linguagem inclusiva na liturgia. Em entrevista publicada em 3 de novembro pelo portal katholisch.de, o padre Marius Linnenborn, diretor do Instituto Litúrgico Alemão e integrante da direção do projeto, afirmou que os textos passarão por uma revisão moderada, aberta a sugestões dos fiéis, com horizonte de publicação apenas em 2033.
O Missal de uso corrente no âmbito germanófono remonta a 1975. Conforme Linnenborn, não se pretende reconstruí-lo integralmente, mas atualizar orações, acrescentar traduções de textos constantes de edições posteriores do Missale Romanum e melhorar a compreensão de certas formulações. Uma consulta pública e experiências em comunidades ajudarão a avaliar os textos. O sacerdote insistiu que não há um Missal novo aprovado, nem calendário definitivo de entrada em vigor.
Duas questões são especialmente sensíveis. Sobre a expressão latina pro multis, presente nas palavras sobre o cálice, Linnenborn apontou a tradução italiana per tutti, já aprovada pela Santa Sé, e disse acreditar que uma votação dos bispos germanófonos poderia chegar a resultado semelhante. Essa conjectura não é uma decisão episcopal nem autorização antecipada de Roma. Bento XVI havia defendido a tradução literal correspondente a por muitos, em atenção ao texto dos Evangelhos e à tradição litúrgica; a referência à vontade salvífica universal de Cristo não elimina a necessidade de avaliar o sentido preciso da fórmula sacramental.
A segunda frente envolve a chamada linguagem inclusiva. Linnenborn citou a possibilidade de mencionar expressamente irmãs onde o texto atualmente fala de irmãos e de considerar certas formulações marcadamente masculinas sobre Deus. Segundo ele, a revisão deverá buscar correspondência entre o texto latino, a língua utilizada e a compreensão de quem participa da celebração.
A tensão teológica permanece: modernização linguística não é necessariamente alteração da doutrina, mas mudanças em fórmulas sacramentais exigem cautela muito superior à adaptação de avisos ou expressões correntes. O projeto dependerá das instâncias episcopais competentes e da confirmação da Sé Apostólica. Em 4 de novembro de 2026, o fato comprovado é a discussão pública do processo, e não a promulgação de um novo Missal alemão.
Fontes
Katholisch.de, entrevista com Marius Linnenborn, 03/11/2026: https://www.katholisch.de/kirche-in-deutschland/das-messbuch-soll-neu-herausgegeben-werden-was-wird-sich-aendern
InfoVaticana, repercussão em português, 04/11/2026: https://infovaticana.com/pt/2026/11/04/o-novo-missal-alemao-tera-linguagem-inclusiva-e-podera-manter-o-por-todos-na-consagracao/
Imagem: Revisão de um Missal em língua alemã — representação editorial gerada, sem reprodução dos textos que serão aprovados. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


