Ariell Watson Simon propõe uma adaptação privada do Confiteor; não é texto oficial da liturgia.
Um artigo publicado em 21 de outubro no portal católico Outreach, iniciativa ligada ao jesuíta padre James Martin, propôs uma adaptação particular do Confiteor sob a perspectiva de pessoas LGBTQ. O texto é assinado por Ariell Watson Simon, não pelo padre Martin, e não foi apresentado como fórmula oficial do Missal Romano.
A autora, formada em teologia e atuante na assistência espiritual, descreve suas experiências ao rezar a oração penitencial da Missa e defende que o exame de consciência contemple atitudes pessoais relacionadas a preconceito, discriminação e injustiça social. Seu argumento associa a condição humana ao pecado, mas questiona o que considera excessivo enfoque eclesial na moral sexual.
Ao final da reflexão, Simon oferece uma reformulação dirigida a católicos LGBTQ. A adaptação troca referências litúrgicas tradicionais e inclui um pedido de oração a ancestrais espirituais e aos chamados “santos queer”. A expressão não constitui uma categoria oficial de santos reconhecidos pela Igreja; no artigo, ela aparece como linguagem proposta pela própria autora.
O contraste mais evidente é com o Confiteor do rito romano, no qual os fiéis reconhecem seus pecados diante de Deus, dos irmãos e das irmãs e pedem a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, dos anjos e dos santos. A invocação proposta por Simon utiliza interlocutores distintos e reformula o conteúdo do reconhecimento da culpa.
Segundo a disciplina litúrgica católica, a oração penitencial prevista para a Missa não pode ser substituída por uma composição privada por iniciativa individual. Nada na publicação prova que um sacerdote tenha usado a versão proposta numa celebração ou que alguma autoridade eclesiástica a tenha aprovado. Confundir reflexão privada com reforma institucional distorceria o alcance do fato.
A controvérsia, repercutida em 28 de outubro por veículos religiosos, diz respeito à maneira como linguagens de identidade contemporâneas são introduzidas na interpretação de fórmulas litúrgicas tradicionais. A discussão teológica é legítima como objeto de crítica e debate; a redação do Missal, entretanto, é matéria de autoridade litúrgica, não simples livre adaptação de grupos particulares.
Fontes
Outreach, Ariell Watson Simon, 21/10/2026: https://outreach.faith/2026/10/an-lgbtq-catholic-guide-to-the-mass-praying-the-confiteor/
InfoVaticana, repercussão de 28/10/2026: https://infovaticana.com/pt/2026/10/28/outreach-de-james-martin-publica-um-confiteor-lgbtq-que-invoca-santos-queer/
Imagem: Missal e folha de oração, símbolos do contraste entre texto litúrgico e adaptação privada. — Reconstrução fotográfica referenciada, não fotografia documental do instante.


