Pero de Sá contrasta a imprecisão doutrinal no episódio vietnamita com a disciplina restritiva imposta à liturgia tradicional.
Por Pero de Sá
Uma Igreja que encontra palavras abundantes para o diálogo, o acolhimento e o discernimento pode revelar inesperada escassez delas quando precisa explicar onde termina a visita respeitosa a outra religião e onde começa o ato de culto incompatível com a fé católica. Ao mesmo tempo, encontra na letra da lei, nos limites territoriais e nas autorizações administrativas instrumentos muito definidos quando o assunto é a celebração segundo um missal que alimentou gerações de santos. Eis a questão que o episódio do Vietnã impõe: por que a linguagem pastoral parece elástica diante de possíveis transgressões doutrinais e tão rigorosa diante de uma tradição litúrgica efetivamente católica?
Em 26 de outubro de 2026, cerca de cem religiosas católicas visitaram o mosteiro budista Minh Dang Quang, no Vietnã, para uma atividade apresentada como estudo e conhecimento de outra tradição. Reportagens posteriores descreveram explicações sobre o budismo e orientação em meditação sentada. O redentorista Peter Nguyen Van Khai criticou a alegada oferta de incenso e oração diante de uma imagem de Buda. A matéria publicada pelo Scriptorium Fidei em 2 de novembro distinguiu prudentemente os fatos confirmados de alegações cuja interpretação ritual permanece sem documentação primária completa.
A ausência dessa prova não é detalhe: não se pode declarar cem religiosas culpadas de idolatria pela mera presença em um mosteiro. Mas a incerteza sobre os gestos concretos não elimina a pergunta doutrinal. Ao contrário, demonstra por que uma formação católica precisa saber formular critérios claros antes que a ambiguidade se torne costume.
I. O QUE SE SABE — E O QUE AINDA NÃO SE SABE
O encontro aconteceu, segundo reportagens independentes. As religiosas receberam explicações e orientações relativas à prática de meditação. O sentido exato das fotografias divulgadas, o caráter de eventuais gestos com incenso e as intenções de cada participante permanecem insuficientemente comprovados. Há inclusive divergência entre reportagens quanto à referência geográfica do evento. Na ausência de relato institucional primário completo, a responsabilidade pessoal não pode ser deduzida automaticamente.
Há uma distinção fundamental entre visitar um mosteiro para conhecer o budismo, observar uma cerimônia, praticar exercício de atenção desprovido de assentimento religioso e executar livremente uma ação que constitui objetivamente ato de culto de outra religião. Essas condutas não são idênticas. A intenção interior também merece investigação, mas não torna indiferente a natureza objetiva de um rito.
A crítica aqui formulada não pretende antecipar juízo canônico sobre pessoas determinadas. Pretende perguntar por que a pastoral contemporânea não torna essa distinção suficientemente inteligível antes que religiosas em formação ingressem em ambientes rituais alheios à fé que professam.
II. NOSTRA AETATE NÃO É LICENÇA PARA SINCRETISMO
O Concílio Vaticano II, em Nostra aetate 2, ensina que a Igreja não desrespeita aquilo que existe de verdadeiro nas religiões não cristãs. Mas a mesma declaração exige o anúncio incessante de Cristo, em quem se encontra a plenitude da vida religiosa. O reconhecimento de parcelas de verdade não equivale à equiparação de doutrinas incompatíveis, tampouco à autorização para adotar indiscriminadamente os atos religiosos de outros cultos.
A distinção foi reafirmada por Dominus Iesus, em 2000, ao recordar o caráter único e universal da mediação salvífica de Jesus Cristo. O diálogo pertence à missão evangelizadora; não a substitui. Se uma prática de meditação é empregada como técnica psicofísica, cabe explicar sua finalidade e remover elementos religiosos incompatíveis. Se é oferecida como participação em um culto que atribui outro significado ao absoluto, o problema muda de natureza.
A expressão “respeitar a cultura” nada decide por si mesma. Respeitar uma pessoa budista é dever de caridade e justiça. Professar juntamente com ela o que contradiz a fé católica seria outra coisa. O respeito devido à pessoa não dissolve o assentimento devido à Revelação.
III. O RESULTADO DE UMA FORMAÇÃO QUE PREFERE A AMBIGUIDADE
O episódio pode ser lido como sintoma de um problema educacional, sem que isso permita diagnosticar todas as congregações envolvidas. Quando se evita dizer com precisão quais atos religiosos são compatíveis com o estado de vida católico, o discernimento é entregue à improvisação. A palavra “experiência” passa a designar realidades moralmente diversas; “aproximação” deixa de indicar se houve observação, aprendizado ou adesão prática.
A imprecisão não é necessariamente heterodoxia explícita. Pode, porém, criar condições para sua difusão. O fiel que nunca recebeu uma explicação sobre a unicidade de Cristo ou a diferença entre oração cristã e culto de outra religião pode interpretar gestos objetivamente religiosos como simples instrumentos de encontro. O erro, então, deixa de depender da intenção de promover o sincretismo: basta que a formação não disponha de conceitos para reconhecê-lo.
A doutrina não existe para impedir a caridade. Existe para oferecer à caridade a verdade sem a qual ela se transforma em sentimentalismo. A simplicidade do Evangelho não é indeterminação dogmática.
IV. DUAS LINGUAGENS PARA DOIS OBJETOS
O contraste com a legislação sobre a liturgia romana tradicional é documental, não apenas impressionista. Summorum Pontificum, de Bento XVI, reconheceu em 2007 a continuidade jurídica do Missal de 1962 e previu ampla possibilidade de seu uso. Traditionis custodes, de Francisco, em 2021, alterou expressamente aquela disciplina: conferiu ao bispo competência para autorizar o uso do Missal anterior à reforma, determinou condições para os grupos e estabeleceu restrições sobre locais e novos agrupamentos. O art. 3 exige inclusive verificar que os participantes não rejeitem a validade e a legitimidade da reforma litúrgica.
Portanto, a disciplina restritiva aplicada à tradição não é invenção retórica. Está escrita. Também seria falso sustentar que nenhuma autoridade pode regular o uso de um missal: a competência da Igreja sobre a disciplina litúrgica é real, e o fiel não tem direito absoluto de celebrar toda forma ritual em qualquer igreja e horário. A pergunta relevante é de proporcionalidade, coerência pastoral e igualdade de critérios.
Não se pode afirmar que no Vietnã não haverá nenhuma investigação, apenas porque ela não foi noticiada até aqui. Nem se deve comparar de maneira direta uma norma universal de organização litúrgica com um possível delito individual ainda não apurado. O que o contraste autoriza indagar é outra coisa: por que a vigilância institucional sobre uma liturgia católica juridicamente reconhecível é tão explicitamente estruturada, enquanto a formação para distinguir diálogo religioso de participação cultual aparece frequentemente envolta em fórmulas amplas de acolhimento?
V. A LEI A SERVIÇO DA VERDADE — OU DA SUSPEITA?
A lei eclesiástica não é, em si, inimiga da tradição; existe para proteger a fé, os sacramentos e o bem comum. Redemptionis Sacramentum, de 2004, mostra que a própria Igreja reconheceu abusos litúrgicos graves, alguns transformados em costumes locais. A instrução insiste na fidelidade às normas, no direito dos fiéis a celebrações ínteg ras e na correção de práticas arbitrárias. Não se trata, portanto, de um conflito simples entre “progressistas que desobedecem” e “tradicionalistas que obedecem”. A lei deve julgar atos concretos, e os mesmos padrões de prova e justiça devem alcançar todos.
Mas quando a lei é mobilizada sem hesitação para limitar usos litúrgicos tradicionais e a ambiguidade é acolhida com benevolência sempre que se invocam experiências inter-religiosas, surge a aparência de uma assimetria de poder: à tradição pede-se primeiro autorização; à experimentação concede-se primeiro compreensão. É uma hipótese crítica que exige avaliação de decisões administrativas concretas, não um veredicto estatístico sobre todo o episcopado.
A tolerância pastoral tem lugar legítimo quando a culpa é incerta, as circunstâncias exigem escuta ou a prudência recomenda correção pedagógica. Isso vale também para religiosos de orientação tradicional. A firmeza disciplinar tem lugar legítimo quando existe violação comprovada de normas ou perigo concreto para a fé. Isso vale também para práticas apresentadas como diálogo.
VI. A DOUTRINA NÃO SE TORNA MENOS VERDADEIRA POR SER INCÔMODA
O vocabulário da inclusão não precisa ser adversário da precisão. Uma Igreja pode acolher pessoas sem aprovar todas as práticas; dialogar com budistas sem ensinar a equivalência das religiões; aproximar-se de outras culturas sem pedir às suas religiosas que suspendam a profissão cristã. A identidade católica não se defende por hostilidade aos outros, mas pela clareza sobre Cristo.
O Catecismo distingue o culto devido exclusivamente a Deus de atos que lhe atribuem um objeto inadequado. A gravidade de um eventual comportamento particular deve sempre ser discernida segundo conhecimento, liberdade e circunstâncias. A prudência na atribuição de culpa não exige suspender o ensinamento objetivo. É perfeitamente possível dizer “não sabemos se houve ato de culto incompatível” e acrescentar “se houve, há um problema doutrinal grave a ser examinado”.
Essa dupla sentença, simples e justa, seria o antídoto contra duas tentações: condenar pessoas por fotografias isoladas e absolver princípios por meio de slogans conciliadores.
VII. A TRADIÇÃO NÃO DEVERIA SER A ÚNICA A PROVAR SUA INOCÊNCIA
Uma comunidade que mantém o latim, o canto gregoriano e os ritos autorizados pela Igreja pode ser chamada a prestar contas sobre suas posições eclesiológicas. O questionamento poderá ser legítimo se há sinais concretos de rejeição da comunhão ou da autoridade. Mas a preferência por uma forma litúrgica mais antiga não equivale, sem outras provas, à heresia ou à rebeldia.
Da mesma maneira, uma religiosa não deve ser condenada por visitar um mosteiro budista, salvo no caso de escândalo. Seria, contudo, incoerente tratar sistematicamente a devoção tradicional como suspeita inicial e a participação em ritos alheios ao cristianismo como experiência cuja relevância doutrinal jamais pode ser questionada. O princípio da justiça exige começar pelos fatos, aplicar as normas pertinentes e distinguir erro objetivo de responsabilidade subjetiva.
A ideia de que toda restrição à tradição seria necessariamente abuso de autoridade também deve ser recusada. O abuso depende de finalidade ilegítima, desproporção, arbítrio ou violação do direito aplicável. A crítica torna-se mais séria quando demonstra a desigualdade do tratamento em casos comparáveis; enfraquece quando chama automaticamente de tirania toda decisão desfavorável à forma litúrgica preferida.
VIII. UMA EXPERIÊNCIA QUE PEDE RESPOSTA, NÃO APENAS EXPLICAÇÕES
O caso vietnamita coloca três perguntas concretas às autoridades formadoras. Primeiro: quais foram exatamente os gestos realizados e que significado religioso tinham naquele contexto? Segundo: as participantes receberam instrução prévia sobre os limites entre conhecimento inter-religioso e exercício de culto? Terceiro: se houve conduta inadequada, qual providência pastoral ou disciplinar será tomada, de modo proporcional e sem condenações coletivas?
O mesmo método deve ser adotado quando se julgam comunidades tradicionais: identificar a conduta, explicitar a regra, oferecer defesa, fundamentar eventual restrição e preservar a dignidade dos fiéis. Uma Igreja que proclama discernimento não pode usar a palavra como alternativa à investigação nos casos que lhe parecem simpáticos, nem substituir a investigação pela suspeita nos casos que lhe parecem incômodos.
CONCLUSÃO — O PROBLEMA DOS DOIS PESOS
O episódio de cem religiosas no Vietnã não demonstra, por si só, uma heresia coletiva. Demonstra como a falta de clareza pode expor uma iniciativa de diálogo a dúvidas graves sobre o culto, sobretudo quando seus organizadores não tornam públicos critérios suficientes para distinguir estudo e participação religiosa.
A tradição litúrgica, por sua vez, não está imune à disciplina nem acima da autoridade da Igreja. Mas um regime de permissões estritas deve ser exercido com razão, caridade e justiça, não com presunções automáticas de culpa por apego a formas recebidas.
O escândalo mais profundo seria aceitar uma Igreja com dois vocabulários morais: compreensão expansiva para a experimentação incerta e suspeita implacável diante da continuidade comprovadamente católica. A verdade não precisa de hostilidade; precisa de critérios iguais.
A Igreja que sabe dizer “não condenemos sem prova” às religiosas do Vietnã deve saber dizê-lo também aos fiéis da Missa tradicional. A Igreja que exige obediência litúrgica dos últimos deve saber exigir clareza doutrinal dos primeiros. Caso contrário, a lei deixa de parecer guardiã da fé e passa a parecer instrumento de uma preferência pastoral. E quando a preferência ocupa o lugar do princípio, não é somente a tradição que sofre: é a justiça da própria autoridade.
English Edition · Read in English
By Pero de Sá
A Church capable of speaking eloquently about dialogue, welcome and discernment may reveal surprising hesitation when asked to clarify where respectful study of another religion ends and participation in worship incompatible with the Catholic faith begins. Yet the same Church has precise language for permissions, locations and restrictions when regulating worship according to the Roman Missal that nourished generations of saints. The episode in Vietnam raises an uncomfortable question: why does pastoral language appear elastic before possible doctrinal transgressions, and so exacting before a liturgy that remains recognizably Catholic?
On October 26, 2026, around one hundred Catholic sisters visited the Minh Dang Quang Buddhist monastery in Vietnam as part of an educational activity. Subsequent reports described instruction in Buddhist beliefs and seated meditation. Redemptorist Father Peter Nguyen Van Khai criticized allegations of incense offerings and prayer before a Buddha image. A Scriptorium Fidei report published on November 2 properly distinguished verified information from allegations requiring more complete primary documentation.
The lack of such evidence matters. One cannot declare one hundred religious sisters guilty of idolatry merely because they visited a monastery. Yet uncertainty about their actions does not make the underlying doctrinal questions disappear. It highlights the need for a formation capable of defining the limits of religious dialogue before ambiguity becomes habitual.
I. WHAT IS KNOWN AND UNKNOWN
Independent reports describe the visit and the instruction given to the sisters. The precise ritual meaning of photographs, any incense-related gestures and each participant’s intentions have not been established by sufficiently complete primary evidence. Reports even differ in their geographic descriptions. Personal responsibility must not be inferred from isolated images.
Visiting a Buddhist monastery to learn, observing a ceremony, practicing an attention exercise with no religious assent and freely performing an act that objectively constitutes another religion’s worship are different things. Intention matters, but it does not make the objective meaning of ritual signs irrelevant.
The purpose of this essay is not to issue canonical judgments against specific persons. It is to ask why contemporary religious formation so often fails to articulate these distinctions before consecrated Catholics enter unfamiliar ritual environments.
II. NOSTRA AETATE IS NOT A LICENSE FOR SYNCRETISM
The Second Vatican Council’s Nostra aetate 2 teaches respect for what is true and holy in non-Christian religions. The same paragraph insists that the Church must continually proclaim Christ, in whom religious life finds its fullness. Recognizing elements of truth is not equivalent to treating incompatible teachings as equally true, nor to adopting indiscriminately the worship of another religion.
Dominus Iesus reaffirmed in 2000 the unique and universal saving mediation of Jesus Christ. Dialogue accompanies the Church’s evangelical mission; it does not replace it. If a meditative practice is adopted merely as a psychological exercise, its purpose and religious context should be clarified. If the gesture is an act of worship within a different theological framework, the issue is fundamentally different.
Respect for Buddhist persons is a requirement of charity and justice. Profession of a belief incompatible with Catholic revelation would be another matter. Respect for persons does not dissolve the obligation to profess revealed truth.
III. WHEN FORMATION PREFERS AMBIGUITY
The Vietnamese episode can be read as a warning about educational method, without making unwarranted claims about all the congregations involved. When educators fail to distinguish permitted observation from religious participation, students are left to improvise. Words such as experience and encounter begin to cover acts of radically different theological significance.
Imprecision is not automatically heresy. It can nonetheless prepare the conditions for confusion. A Catholic unfamiliar with the uniqueness of Christ may interpret religious gestures as interchangeable techniques of spiritual encounter. Syncretism need not begin as a deliberate project; it can also arise from a formation without clear conceptual boundaries.
Doctrine does not exist to suppress charity, but to give it truthful form. Evangelical simplicity must not be confused with doctrinal indefiniteness.
IV. TWO LANGUAGES FOR TWO REALITIES
The contrast with regulation of the traditional Roman liturgy is documented, not merely rhetorical. In 2007, Benedict XVI’s Summorum Pontificum affirmed the juridical continuity of the 1962 Missal and allowed its extensive use. In 2021, Francis’s Traditionis custodes expressly changed that discipline: bishops were given responsibility to authorize its use, specific conditions were imposed on communities, and restrictions were introduced concerning churches and new groups. Article 3 even requires examination of whether the communities deny the validity and legitimacy of the liturgical reform.
Those restrictions are not invented. They are written law. Equally, one must not pretend that Church authority lacks power to regulate liturgical practice. No believer has an unlimited right to celebrate any ritual form at any place and time. The pertinent questions concern proportionality, pastoral consistency and fairness of criteria.
An unresolved individual allegation of religious misconduct is not the same legal category as a universal liturgical regulation. Nor can the absence of a reported investigation prove that none will occur. The worthwhile comparison concerns priorities: why is oversight of a Catholic liturgical inheritance so explicitly structured, while the formation needed to distinguish dialogue from religious participation is often formulated in elastic language?
V. LAW IN THE SERVICE OF TRUTH
Ecclesiastical law is not the enemy of tradition. It exists to protect faith, sacraments and the common good. Redemptionis Sacramentum, issued in 2004, recognized serious liturgical abuses, some of which had become customary in particular communities, and demanded the correction of arbitrary practices. This does not reduce every controversy to progressive disobedience versus traditional obedience. The law must examine specific acts under the same standards of justice.
Nevertheless, when restrictions are applied swiftly to traditional liturgical usage, while potentially syncretistic experiments receive abundant language of empathy without corresponding doctrinal clarification, an appearance of institutional asymmetry emerges. It is a critical hypothesis requiring examination of concrete decisions, not a statistical verdict against every bishop.
Pastoral patience is legitimate when guilt is uncertain or instruction should precede punishment. Traditional Catholics also deserve that patience. Firm discipline is legitimate when a violation or serious risk is established. Interreligious initiatives are not exempt from that discipline.
VI. TRUTH DOES NOT BECOME LESS TRUE WHEN UNWELCOME
Inclusion and precision need not be enemies. The Church can welcome Buddhists without teaching equivalence between religions, learn about other cultures without abandoning Christian profession, and respect religious liberty without pretending that all rites mean the same thing.
Catholic teaching distinguishes the worship owed to God alone from acts that misdirect religious adoration. Personal culpability must consider knowledge, freedom and circumstances. Such prudence does not require abandoning objective moral teaching. One can say that there is insufficient evidence of an incompatible act of worship and still say that, if such an act occurred, a serious doctrinal question must be examined.
This double proposition protects both the accused and the truth: neither persons are to be condemned from fragmentary photographs nor principles dissolved into conciliatory slogans.
VII. TRADITION SHOULD NOT ALONE HAVE TO PROVE INNOCENCE
Communities preserving Latin, Gregorian chant and authorized traditional rites may rightly be questioned when concrete evidence suggests rejection of ecclesial communion or legitimate authority. But preference for older ritual forms does not itself prove heresy or rebellion.
Likewise, religious sisters should not be condemned merely for visiting a Buddhist monastery. The inconsistency would arise if traditional devotion were routinely treated as presumptively suspect while acts of worship from other religions were invariably sheltered from doctrinal scrutiny in the name of encounter.
Not every restriction on a traditional community is an abuse of authority. Abuse requires arbitrariness, illegitimate purpose, disproportion or violation of applicable law. A rigorous critique must demonstrate unequal treatment in comparable cases rather than declare every unfavorable decision to be tyranny.
VIII. A CASE THAT REQUIRES ANSWERS
Three questions should be put to those responsible for the Vietnamese visit. First, what precise gestures took place and what religious meaning did they bear? Second, what prior instruction distinguished study from participation in worship? Third, if an inappropriate act is established, what proportionate pastoral or disciplinary response will follow without collective condemnation?
The same method should guide judgments about traditional communities: identify the conduct, specify the applicable norm, permit a defense, justify restrictions and safeguard the faithful’s dignity. Discernment cannot mean replacing evidence with empathy in some cases and replacing evidence with suspicion in others.
CONCLUSION — THE PROBLEM OF DOUBLE STANDARDS
The visit of the sisters in Vietnam does not by itself prove collective heresy. It shows how insufficiently precise formation can expose an interreligious initiative to serious questions about worship. When organizers do not publicly explain the distinctions governing such a visit, confusion predictably follows.
The traditional liturgy is not beyond discipline. Yet restrictive rules ought to be exercised with reason, charity and justice, not automatic presumptions of culpability.
A Church with two moral vocabularies would be profoundly troubling: expansive understanding for uncertain experimentation, unrelenting suspicion for recognizably Catholic continuity. Truth needs neither hostility nor selective indulgence; it needs consistent standards.
A Church that says “do not condemn without proof” to the sisters in Vietnam must be able to say the same to Catholics attached to the traditional Mass. A Church that demands liturgical obedience from the latter must also demand doctrinal clarity from the former. Otherwise, law risks appearing not as the guardian of faith but as the instrument of a pastoral preference. And when preference replaces principle, the justice of authority itself is endangered.
Fontes
Scriptorium Fidei, “Cem religiosas católicas participam de práticas budistas no Vietnã: sacerdote denuncia os limites ultrapassados pelo diálogo inter-religioso”, 02/11/2026: https://scriptoriumfidei.com.br/cem-religiosas-catolicas-participam-de/
EWTN/CNA, reportagem sobre a visita e declarações do padre Peter Nguyen Van Khai, 30/10/2026: https://ewtn-news.origin.ewtn.app/world/asia-pacific/catholic-sisters-visit-to-buddhist-temple-stirs-controversy-in-vietnam
Catholic Herald, reportagem complementar de 02/11/2026: https://thecatholicherald.com/article/catholic-nuns-take-part-in-buddhist-meditation-in-vietnam-monastery
InfoVaticana, reportagem em português de 31/10/2026: https://infovaticana.com/pt/2026/10/31/cerca-de-cem-religiosas-catolicas-visitam-um-templo-budista-em-ho-chi-minh-e-praticam-meditacao-o-que-divide-os-fieis/
Concílio Vaticano II, Nostra aetate, n. 2: https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html
Congregação para a Doutrina da Fé, Dominus Iesus, 2000, especialmente nn. 2, 4, 13–15: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000806_dominus-iesus_po.html
Bento XVI, Summorum Pontificum, 2007: https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20070707_summorum-pontificum.html
Francisco, Traditionis custodes, 2021, especialmente arts. 2–3: https://www.vatican.va/content/francesco/en/motu_proprio/documents/20210716-motu-proprio-traditionis-custodes.html
Congregação para o Culto Divino, Redemptionis Sacramentum, 2004, especialmente nn. 4, 11, 12, 170–177: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_en.html
Imagem: A tradição litúrgica e doutrinal permanece referência para julgar, com critérios iguais, práticas e experimentações religiosas. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


