Dom Mario Delpini publica orientações sobre exéquias, oração de sufrágio, discursos e guarda digna das cinzas, à luz da Ressurreição.
MILÃO, 31 de outubro de 2026 — Dom Mario Delpini, arcebispo de Milão, dirigiu às comunidades de sua arquidiocese uma carta sobre a celebração das exéquias e a profissão de fé na ressurreição. Divulgado em 29 de outubro, o documento procura impedir que o funeral cristão se reduza a uma cerimônia breve de condolências ou a uma sucessão de homenagens sem referência ao destino eterno da pessoa.
A carta, intitulada Lettera alle comunità cristiane sulla celebrazione delle esequie e la professione di fede nella risurrezione, retoma o Diretório diocesano de 2017 e apresenta orientações práticas para a aproximação das paróquias às famílias enlutadas. O arcebispo afirma que o sofrimento pela morte é íntimo, mas não exclusivamente privado: cabe à comunidade acompanhar os familiares, rezar pelo defunto e testemunhar a esperança cristã.
Delpini pede que padres, diáconos e agentes pastorais estabeleçam contato direto com as famílias, evitando que as empresas funerárias se tornem uma barreira entre a paróquia e os parentes. Esclarece, ainda, que não existe uma tarifa devida à paróquia pela celebração do funeral. Eventuais ofertas devem conservar seu caráter livre, sem serem incorporadas às tabelas de preços das agências.
Quanto à liturgia, o arcebispo recorda que a opção entre Missa exequial e celebração da Palavra não deve resultar de imposição uniforme nem ser decidida isoladamente pelo ministro, sem consideração pela realidade pastoral da família. Em todos os casos, deve permanecer a oração de sufrágio. Discursos de despedida podem ser acolhidos com discernimento, mas Delpini considera mais conveniente que ocorram depois do encerramento da celebração, para não confundir elogios pessoais com o rito da Igreja.
Outro ponto é o destino das cinzas. O arcebispo desencoraja sua conservação doméstica ou dispersão, pois a sepultura e a guarda em lugar sagrado evidenciam a dimensão comunitária da esperança na ressurreição. Sugere inclusive um momento comunitário de acolhida e bênção das urnas no cemitério. Isso não equivale a uma proibição universal da cremação: a disciplina católica a admite quando não decorre da negação da fé na ressurreição.
A orientação arquidiocesana insere-se em debate mais amplo sobre a secularização dos ritos de passagem. Para a tradição católica, a liturgia exequial não é apenas uma despedida emotiva: é oração da Igreja, sufrágio pelo falecido, testemunho da vitória de Cristo sobre a morte e expressão concreta de caridade para com os que sofrem.
Não se trata de reforma universal do rito romano nem de regulamento promulgado para outras dioceses. O fato jornalístico deste Radar é a publicação da carta de 29 de outubro, às vésperas da Comemoração dos Fiéis Defuntos, observada em 2 de novembro.
Fontes
Arquidiocese de Milão, apresentação e texto da carta, 29/10/2026: https://www.chiesadimilano.it/news/chiesa-diocesi/larcivescovo-esequie-occasione-di-evangelizzazione-e-di-fraternita-2887167.html
Agência SIR, exéquias e participação comunitária, 29/10/2026: https://www.agensir.it/quotidiano/2026/10/29/esequie-mons-delpini-milano-il-dolore-per-la-morte-di-una-persona-cara-e-intimo-ma-non-privato-comunita-e-laici-coinvolti/
Agência SIR, cinzas e oferta livre, 29/10/2026: https://www.agensir.it/quotidiano/2026/10/29/esequie-mons-delpini-milano-non-ce-una-tariffa-da-versare-alla-parrocchia-ceneri-nel-cimitero-non-in-casa/
Santa Sé, Compêndio do Catecismo, nn. 479–480: https://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_en.html
Imagem: Arcebispo de Milão combate banalização dos funerais: cinzas, discursos e cerimônias devem expressar a fé na Ressurreição. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


