Arcebispo Paul Richard Gallagher defende o debate sobre guerra justa e alerta contra pacifismo absoluto em entrevista de 27 de outubro.
ROMA, 31 de outubro de 2026 — O arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, defendeu a importância de não abandonar a noção católica de guerra justa. O posicionamento foi apresentado num encontro com a Associação da Imprensa Estrangeira em Roma, em 27 de outubro, e repercutiu na imprensa católica em 30 de outubro.
Segundo a reportagem da InfoCatólica, que reproduz informações sobre a entrevista, Gallagher declarou não ser pacifista e considerou perigoso que a Igreja simplesmente renuncie à tradição de avaliar moralmente situações de defesa armada. Ao mesmo tempo, reconheceu que a transformação dos armamentos e do cenário internacional exige reexaminar a maneira de formular esses critérios.
Seu argumento não consiste em legitimar guerras de conquista. O diplomata lembrou o problema de consciência enfrentado por católicos que servem nas forças armadas e a necessidade de oferecer parâmetros morais para decisões que envolvem o emprego da força. Essa reflexão se distingue tanto da aceitação indiscriminada da guerra quanto de um pacifismo absoluto que negue, em qualquer circunstância, o direito de defesa.
Os números 2308 e 2309 do Catecismo da Igreja Católica ensinam que todos devem trabalhar para evitar a guerra e admitem, após esgotados os esforços pacíficos, a legítima defesa dos povos sob condições rigorosas. Entre elas estão a gravidade e certeza do dano provocado pelo agressor, a ineficácia de alternativas pacíficas, possibilidades sérias de êxito e a proibição de recorrer a meios que produzam males maiores do que aqueles que se pretende impedir.
O debate ganha intensidade diante de armamentos com crescente capacidade destrutiva e de conflitos que ameaçam populações civis. Para a ética católica, a defesa legítima nunca suspende a obrigação de proteger os inocentes e de observar o direito moral durante as hostilidades. A avaliação concreta requer prudência e responsabilidade das autoridades encarregadas do bem comum.
As declarações de Gallagher ocorreram numa conversa mais ampla sobre diplomacia vaticana, conflitos internacionais e relações com outros Estados. A notícia aqui se limita ao tema da guerra justa: não se deve tratar a manifestação pessoal de um responsável diplomático como nova definição magisterial, decreto pontifício ou revogação de ensinamentos anteriores.
A íntegra do áudio ou transcrição da coletiva de 27 de outubro não constava das fontes primárias já registradas na pauta; por isso, suas palavras são apresentadas com atribuição à reportagem disponível, evitando citações literais não conferidas diretamente. O fato permanece distinto de pronunciamentos anteriores de Leão XIV sobre a paz e de outros episódios envolvendo a mesma doutrina.
Fontes
InfoCatólica, cobertura da coletiva de Gallagher, 30/10/2026: https://www.infocatolica.com/?cod=56290&t=noticia
Catholic Culture, repercussão sobre Gallagher: https://www.catholicculture.org/news/headlines/index.cfm?storyid=71111
Santa Sé, Catecismo da Igreja Católica, nn. 2307–2309: https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html
Imagem: Diplomata do Vaticano defende permanência da doutrina da guerra justa: arcebispo Gallagher alerta contra pacifismo absoluto. — Ilustração editorial do Scriptorium Fidei.


