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Crônicas

Crônica: A força que não precisa ferir

Iño de Malta, à luz de Santo Afonso, mostra que a mansidão cristã não é fraqueza, mas força governada pela caridade, pela prudência e pela verdade.
Gravura editorial mostra um homem ajoelhado diante do Crucificado, com a espada deposta ao chão, enquanto uma tempestade agita o mundo fora da capela.

Santo Afonso ensina que a mansidão não desarma a verdade; desarma o orgulho de quem a diz.

Por Iño de Malta

Há virtudes que o mundo respeita mesmo quando não as compreende.

A coragem, por exemplo, ainda conserva certo prestígio. A inteligência também. A firmeza, desde que renda bons resultados, costuma receber aplausos. Mas há uma virtude que o nosso tempo quase sempre confunde com fraqueza: a mansidão.

Dizer de um homem que ele é manso soa, para muitos, como dizer que não reage, que não se impõe, que aceita tudo, que fala baixo porque não possui nada a dizer. O homem moderno prefere outra linguagem. Quer ser assertivo, contundente, incisivo, inegociável. Gosta de verbos que parecem entrar numa sala batendo a porta.

O Evangelho, porém, escolheu outra palavra.

Nosso Senhor não disse: aprendei de mim porque sou eficiente.

Nem: aprendei de mim porque venço todas as discussões.

Disse: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”

Há frases que deveriam bastar para converter uma época inteira.

Esta é uma delas.

Santo Afonso Maria de Ligório voltou muitas vezes a esse ponto. Na Prática do Amor a Jesus Cristo, ao comentar as palavras de São Paulo sobre a caridade, faz uma associação que só parece simples até que se tente vivê-la: quem ama Jesus Cristo ama a mansidão.

Não é uma nota marginal da vida espiritual.

É uma consequência do amor.

Porque quem ama Nosso Senhor começa, pouco a pouco, a desconfiar da própria ira, da própria vaidade, da necessidade de prevalecer, da urgência de responder à última palavra com uma palavra ainda maior. Começa a perceber que muitas vezes chamamos de zelo aquilo que é apenas amor-próprio vestido para a Missa.

E aqui começa a dificuldade.

É fácil ser manso quando ninguém nos contraria.

É fácil parecer santo quando todos colaboram com a nossa santidade.

A mansidão começa exatamente onde termina o conforto.

Começa quando alguém nos fere.

Quando nos julga injustamente.

Quando nos interrompe.

Quando despreza aquilo que amamos.

Quando nos acusa sem razão.

Quando uma palavra maldosa chega à mesa da família.

Quando uma provocação aparece no telefone.

Quando uma injustiça toca nossa reputação.

Quando encontramos o erro — e, pior ainda, quando encontramos o erro acompanhado de arrogância.

É nesse instante que a alma revela a sua arquitetura.

Um templo permanece templo não porque nunca recebe vento, mas porque suas colunas sabem suportá-lo.

Santo Afonso é muito prático nesse ponto. Não escreve sobre a mansidão como quem descreve uma flor distante. Ele sabe que a ira tem pressa. Sabe que ela gosta de apresentar-se como justiça urgente. Sabe que, quando o coração está perturbado, todas as palavras parecem necessárias.

Por isso aconselha aquilo que custa tanto ao homem irritado: silêncio.

Esperar.

Deixar esfriar o coração.

Responder depois.

Nós, ao contrário, temos a tecnologia do impulso.

Nunca foi tão fácil pecar antes que a prudência consiga levantar-se da cadeira.

Uma mensagem chega.

Respondemos.

Uma provocação aparece.

Publicamos.

Uma ofensa nos alcança.

Retribuímos.

Depois, com a serenidade que só aparece quando já não serve para impedir o estrago, explicamos a nós mesmos que defendíamos a verdade.

Talvez.

Mas a verdade não necessita da nossa cólera para continuar verdadeira.

Este é um ponto decisivo.

Mansidão não é covardia.

Nosso Senhor, que se chamou manso, expulsou os vendedores do Templo.

São João Batista chamou Herodes ao arrependimento.

Santo Atanásio resistiu quando quase o mundo inteiro pareceu ceder.

Os mártires foram mansos, mas não foram maleáveis.

A mansidão cristã não é a ausência de força.

É a força governada.

É a espada na mão de quem sabe por que a possui.

É o cavalo que obedece às rédeas.

É o fogo no altar, não no celeiro.

O homem iracundo pensa que demonstra poder porque explode.

Na verdade, demonstra que outra coisa possui o comando.

A paixão sobe.

Ele obedece.

O orgulho recebe um golpe.

Ele reage.

O adversário lança uma palavra.

Ele se torna, imediatamente, instrumento da palavra do adversário.

Que liberdade há nisso?

O manso é mais livre.

Ele pode responder ou não.

Pode corrigir ou esperar.

Pode erguer a voz sem odiar.

Pode calar sem acovardar-se.

Pode defender a verdade sem precisar destruir o homem que está no erro.

Santo Afonso insiste que correções amargas frequentemente produzem mais mal do que bem. A correção pode precisar de firmeza; a verdade pode exigir clareza; o pecado pode precisar ser chamado por seu nome. Mas aquele que corrige com rancor mistura o remédio com veneno.

E depois se admira de que o doente rejeite a colher.

Há um zelo que salva.

E há um zelo que apenas satisfaz quem o exerce.

O primeiro sofre pela alma do outro.

O segundo desfruta o golpe bem dado.

O primeiro quer que o adversário volte à verdade.

O segundo quer que ele perca.

É possível pronunciar a doutrina correta e, ainda assim, pecar contra a caridade.

É possível defender uma coisa santa de modo pouco santo.

É possível vencer um debate e perder a própria paz.

Esta talvez seja uma das tentações particulares do católico que leva a fé a sério.

Ele vê coisas que merecem indignação.

Vê profanações.

Vê confusão doutrinal.

Vê pastores que calam quando deveriam falar e falam quando deveriam calar.

Vê liturgias empobrecidas, catequeses frágeis, famílias feridas, escândalos tratados como normalidade.

Há motivos reais para tristeza.

Há combates legítimos.

Há erros que precisam ser denunciados.

Mas precisamente porque o combate é verdadeiro, é preciso combatê-lo como cristão.

Não basta ter inimigos corretos.

É preciso ter virtudes corretas.

O demônio ficaria satisfeito com um católico ortodoxo que defendesse cada dogma e perdesse, um por um, a paciência, a humildade, a mansidão, a prudência e a caridade.

A ficha doutrinal estaria impecável.

A alma, devastada.

Santo Afonso desconfiaria dessa santidade.

Ele escreve para homens reais, não para personagens de vitral. Sabe que a virtude é provada sobretudo na convivência. É muito fácil amar a Igreja universal e ser insuportável na cozinha.

É fácil admirar os santos e tratar mal os empregados.

É fácil defender a família cristã e levar para dentro de casa uma tirania de mau humor.

É fácil publicar frases sobre a caridade e não suportar o barulho dos próprios filhos.

É fácil ter paciência com os grandes males da civilização, porque eles não nos pedem que fechemos uma gaveta, esperemos cinco minutos ou perdoemos uma frase atravessada.

A santidade costuma esconder-se nessas proporções humilhantes.

Não apenas nas grandes perseguições, mas no café derramado.

Não apenas diante do herege, mas diante do cônjuge cansado.

Não apenas na defesa pública da Igreja, mas na resposta que damos a alguém que nos chama quando preferíamos ficar sozinhos.

A mansidão é doméstica antes de ser heroica.

Por isso ela é tão difícil.

É possível encenar bravura diante de uma multidão.

É mais difícil permanecer doce quando ninguém está olhando.

Há ainda outra mansidão que Santo Afonso considera necessária: a mansidão para consigo mesmo.

Este ponto surpreende.

Muitos imaginam que a dureza interior seja prova de humildade. Caem numa falta e imediatamente começam o tribunal.

Como fui capaz?

Depois de tantos propósitos?

Depois de tantas graças?

Outra vez?

A indignação parece espiritual.

Mas muitas vezes é orgulho ferido.

Não nos entristecemos apenas porque ofendemos a Deus; irritamo-nos porque descobrimos que ainda somos exatamente aquilo que a doutrina católica sempre disse que éramos: criaturas fracas, necessitadas da graça.

Santo Afonso recomenda outra coisa.

Humilhar-se.

Pedir perdão.

Recomeçar.

Confiar.

Não fazer da própria miséria um espetáculo particular.

A água agitada não reflete o céu.

A alma perturbada vê mal.

Irritar-se consigo mesmo não cura a queda; frequentemente prepara a próxima.

Que estranha religião seria a nossa se acreditássemos na misericórdia de Deus para todos, exceto para nós.

O arrependimento católico é sério, mas não desesperado.

O pecador deve odiar o pecado.

Não deve adorar a própria decepção.

Talvez por isso os confessionários antigos pareçam objetos tão sábios.

São pequenos.

Escuros.

Sem plateia.

Entramos com nossa história complicada e saímos depois de algumas palavras.

Não há dramaturgia.

Há absolvição.

Deus não precisa de nosso desespero para provar que o pecado foi grave.

Basta a Cruz.

E a Cruz é também a grande escola da mansidão.

Cristo não foi passivo no Calvário.

Ofereceu-se.

Há uma diferença infinita.

A passividade é incapacidade de agir.

A mansidão é poder que aceita sofrer por amor.

Ele poderia ter pedido legiões de anjos.

Não pediu.

Poderia ter respondido a cada acusação.

Calou.

Poderia ter amaldiçoado.

Perdoou.

Poderia ter descido da Cruz para vencer os zombadores na linguagem deles.

Permaneceu.

Nunca houve força maior.

Por isso a mansidão cristã não pode ser medida pelo barulho.

A montanha não precisa gritar para ser alta.

A catedral não discute com o arranha-céu.

O altar não corre atrás de quem sai da igreja.

Certas realidades permanecem.

E porque permanecem, julgam silenciosamente tudo o que passa.

O católico manso não é o homem sem convicções.

É o homem cujas convicções são tão firmes que não precisam ser defendidas por cada alteração de sua pressão sanguínea.

Ele sabe quem é.

Sabe em quem crê.

Sabe que a verdade não começou com ele e não terminará se ele perder uma discussão.

Pode, portanto, falar sem febre.

É curioso como a mansidão se torna ainda mais necessária num tempo que confunde intensidade com autenticidade.

Se estou irritado, pareço sincero.

Se grito, pareço comprometido.

Se humilho o adversário, meus aliados chamam de coragem.

Mas o cristão não recebe sua regra moral da plateia.

Pode haver aplausos para um pecado.

Pode haver silêncio diante de uma virtude.

O importante é saber diante de quem estamos realmente falando.

Diante de Deus.

Santo Afonso escreve sempre com essa proximidade do juízo eterno. Não para produzir medo estéril, mas para recolocar cada coisa em seu tamanho.

A ofensa que agora parece intolerável passará.

A humilhação passará.

A discussão passará.

A postagem passará.

O homem que nos feriu morrerá.

Nós morreremos.

E então talvez pareça ridículo descobrir quanto da nossa vida foi gasto defendendo uma imagem de nós mesmos que já não existe.

O que permanecerá?

O amor.

A caridade.

Aquilo que fizemos por Cristo.

Aquilo que suportamos por Cristo.

Aquilo que perdoamos por Cristo.

Por isso a mansidão não é uma decoração moral.

É preparação para a eternidade.

E também para o apostolado.

Ninguém conduz uma alma a Deus fazendo-a desejar distância de quem fala em nome de Deus.

Pode acontecer que a verdade doa.

Pode acontecer que a correção fira.

Pode acontecer que a Igreja diga “não” onde o mundo exige “sim”.

Mas a dureza da verdade não autoriza a dureza do coração.

O cirurgião corta.

Não odeia o paciente.

Um pai corrige.

Não deseja a humilhação do filho.

A Igreja condena o erro.

Reza pelo homem que erra.

Quando essas distinções desaparecem, a ortodoxia pode tornar-se um instrumento do ego.

E então já não defendemos o depósito da fé.

Defendemos o nosso temperamento.

Como praticar, então, a mansidão?

Santo Afonso seria provavelmente menos impressionado por teorias e mais interessado no próximo gesto.

Quando fores provocado, não respondas imediatamente.

Quando precisares corrigir, espera que a ira passe.

Quando fores tratado com grosseria, não imites a grosseria para provar que a percebeste.

Quando errares, arrepende-te sem transformar o arrependimento em ódio de ti mesmo.

Quando uma palavra severa for realmente necessária, pergunta antes se a pronunciarás por Deus ou por prazer.

Quando te sentires inflamado, cala.

Quando puderes vencer o mal com o bem, não escolhas o mal apenas porque parece mais rápido.

E, sobretudo, ama Jesus Cristo.

Porque a mansidão cristã não nasce de técnica psicológica.

Nasce de semelhança.

Tornamo-nos mansos olhando para o Manso.

Não é um método de comunicação.

É uma conformação do coração.

Talvez esta seja a oração de que precisamos:

Senhor, fazei-me forte sem me tornar áspero.

Firme sem ser cruel.

Claro sem ser orgulhoso.

Capaz de corrigir sem humilhar.

Capaz de sofrer sem teatralizar.

Capaz de calar sem covardia.

Capaz de falar sem cólera.

Dai-me a mansidão que não abandona a verdade e a verdade que não abandona a caridade.

Porque o católico não foi chamado a ser inofensivo.

Foi chamado a ser santo.

E a santidade, quando é verdadeira, possui uma força estranha.

Não precisa ferir para vencer.

English Edition · Read in English

Chronicle: The Strength That Does Not Need to Wound

Saint Alphonsus teaches that meekness does not disarm truth; it disarms the pride of the person who speaks it.

By Iño de Malta

There are virtues the world still respects even when it does not fully understand them.

Courage, for instance, retains a certain prestige. Intelligence does too. Firmness is applauded, provided it produces results. But there is one virtue our age habitually mistakes for weakness: meekness.

To call a man meek now sounds almost like saying that he does not react, does not assert himself, accepts everything, speaks softly because he has nothing to say. Modern man prefers another vocabulary. He wishes to be assertive, forceful, incisive, uncompromising. He likes verbs that enter a room as though slamming the door.

The Gospel chose another word.

Our Lord did not say: learn from Me because I am efficient.

Nor: learn from Me because I win every argument.

He said: “Learn from Me, for I am meek and humble of heart.”

Some sentences should be enough to convert an entire age.

This is one of them.

Saint Alphonsus Maria de Liguori returned often to this point. In The Practice of the Love of Jesus Christ, while commenting on Saint Paul’s words about charity, he makes an association that seems simple only until one tries to live it: whoever loves Jesus Christ loves meekness.

It is not a marginal note in the spiritual life.

It is a consequence of love.

For the person who loves Our Lord gradually begins to distrust his own anger, his vanity, his need to prevail, his urgency to answer the last word with an even greater word. He begins to see that we often call something zeal when it is merely self-love dressed for Mass.

And here the difficulty begins.

It is easy to be meek when nobody contradicts us.

It is easy to look holy when everyone cooperates with our holiness.

Meekness begins exactly where comfort ends.

It begins when someone wounds us.

When we are judged unfairly.

When we are interrupted.

When someone despises what we love.

When we are accused without cause.

When a malicious word arrives at the family table.

When a provocation appears on the telephone.

When an injustice touches our reputation.

When we encounter error — and worse still, error accompanied by arrogance.

At that moment the architecture of the soul is revealed.

A church remains a church not because wind never strikes it, but because its columns know how to bear the wind.

Saint Alphonsus is intensely practical here. He does not write about meekness as though describing a distant flower. He knows that anger is impatient. He knows that it likes to present itself as urgent justice. He knows that when the heart is disturbed every word seems necessary.

That is why he recommends what costs the angry man so much: silence.

Wait.

Let the heart cool.

Answer later.

We, by contrast, possess the technology of impulse.

It has never been easier to sin before prudence manages to rise from its chair.

A message arrives.

We answer.

A provocation appears.

We post.

An insult reaches us.

We return it.

Later, with the serenity that appears only when it can no longer prevent the damage, we explain to ourselves that we were defending the truth.

Perhaps.

But the truth does not require our anger in order to remain true.

This is decisive.

Meekness is not cowardice.

Our Lord, who called Himself meek, drove the merchants from the Temple.

Saint John the Baptist called Herod to repentance.

Saint Athanasius resisted when almost the whole world seemed ready to yield.

The martyrs were meek, but they were not pliable.

Christian meekness is not the absence of strength.

It is strength under government.

It is the sword in the hand of one who knows why he carries it.

It is the horse obedient to the reins.

It is fire upon the altar, not fire in the barn.

The angry man thinks he displays power because he explodes.

In reality he displays that something else commands him.

Passion rises.

He obeys.

Pride receives a blow.

He reacts.

His opponent throws a word.

He immediately becomes the instrument of that word.

Where is the freedom in this?

The meek man is freer.

He may answer or remain silent.

He may correct or wait.

He may raise his voice without hatred.

He may keep silence without cowardice.

He may defend the truth without needing to destroy the man who is in error.

Saint Alphonsus insists that bitter corrections often do more harm than good. Correction may require firmness; truth may require clarity; sin may need to be called by its proper name. But the one who corrects with resentment mixes medicine with poison.

Then he wonders why the sick man rejects the spoon.

There is a zeal that saves.

And there is a zeal that merely satisfies the person who exercises it.

The first suffers for the soul of the other.

The second enjoys a well-delivered blow.

The first wants the opponent to return to the truth.

The second wants him to lose.

It is possible to pronounce correct doctrine and still sin against charity.

It is possible to defend a holy thing in an unholy manner.

It is possible to win a debate and lose one’s peace.

This may be one of the particular temptations of the Catholic who takes the faith seriously.

He sees things that deserve indignation.

He sees profanations.

Doctrinal confusion.

Pastors silent when they should speak and speaking when they should be silent.

Impoverished liturgies, weak catechesis, wounded families, scandal treated as normality.

There are real reasons for sorrow.

There are legitimate battles.

There are errors that must be denounced.

But precisely because the battle is real, it must be fought as a Christian.

It is not enough to have the right enemies.

One must have the right virtues.

The devil would be quite content with an orthodox Catholic who defended every dogma while losing, one by one, patience, humility, meekness, prudence and charity.

His doctrinal record would be impeccable.

His soul, devastated.

Saint Alphonsus would distrust such sanctity.

He writes for real men, not stained-glass characters. He knows that virtue is tested above all in ordinary life. It is very easy to love the universal Church and be unbearable in the kitchen.

Easy to admire saints and treat servants badly.

Easy to defend the Christian family and bring a tyranny of bad temper into one’s own home.

Easy to publish sentences about charity and fail to endure the noise of one’s own children.

Easy to have patience with the great evils of civilisation because they do not ask us to close a drawer, wait five minutes, or forgive a badly phrased sentence.

Holiness often hides in such humiliating proportions.

Not only in great persecutions, but in spilled coffee.

Not only before the heretic, but before a tired spouse.

Not only in public defence of the Church, but in the answer we give to someone who calls us when we wanted to be alone.

Meekness is domestic before it is heroic.

That is why it is so difficult.

One may perform bravery before a crowd.

It is harder to remain gentle when nobody is watching.

There is another kind of meekness Saint Alphonsus considers necessary: meekness toward ourselves.

This surprises many people.

We imagine that inward harshness proves humility. We fall into a fault and immediately convene a tribunal.

How could I?

After so many resolutions?

After so many graces?

Again?

The indignation appears spiritual.

Often it is wounded pride.

We are not merely sorrowful because we offended God; we are irritated because we discovered that we remain exactly what Catholic doctrine has always said we are: weak creatures in need of grace.

Saint Alphonsus recommends something else.

Humble yourself.

Ask forgiveness.

Begin again.

Trust.

Do not turn your own misery into a private spectacle.

Troubled water does not reflect the sky.

A disturbed soul sees badly.

Anger against oneself does not heal the fall; often it prepares the next one.

What a strange religion ours would be if we believed in God’s mercy for everyone except ourselves.

Catholic repentance is serious, but not despairing.

The sinner must hate sin.

He must not worship his own disappointment.

Perhaps that is why old confessionals look like such wise objects.

They are small.

Dark.

Without an audience.

We enter with a complicated story and leave after a few words.

No drama.

Absolution.

God does not need our despair in order to prove that sin was serious.

The Cross is enough.

And the Cross is the great school of meekness.

Christ was not passive at Calvary.

He offered Himself.

There is an infinite difference.

Passivity is inability to act.

Meekness is power accepting suffering for love.

He could have asked for legions of angels.

He did not.

He could have answered every accusation.

He was silent.

He could have cursed.

He forgave.

He could have come down from the Cross to defeat the mockers in their own language.

He remained.

There has never been greater strength.

Christian meekness therefore cannot be measured by noise.

A mountain does not need to shout in order to be high.

A cathedral does not argue with a skyscraper.

An altar does not run after the man leaving the church.

Some realities remain.

And because they remain, they silently judge everything that passes.

The meek Catholic is not a man without convictions.

He is a man whose convictions are so firm that they do not need to be defended by every alteration of his blood pressure.

He knows who he is.

He knows in whom he believes.

He knows the truth did not begin with him and will not end if he loses an argument.

He can therefore speak without fever.

It is striking how necessary meekness becomes in an age that confuses intensity with authenticity.

If I am angry, I look sincere.

If I shout, I look committed.

If I humiliate an opponent, my allies call it courage.

But the Christian does not receive his moral rule from an audience.

There can be applause for sin.

There can be silence before virtue.

What matters is knowing before whom we are actually speaking.

Before God.

Saint Alphonsus writes with this proximity to eternal judgment. Not in order to produce sterile fear, but to restore proper proportions.

The insult that now seems intolerable will pass.

The humiliation will pass.

The argument will pass.

The post will pass.

The man who wounded us will die.

We will die.

And then it may seem ridiculous to discover how much of our life was spent defending an image of ourselves that no longer exists.

What remains?

Love.

Charity.

What we did for Christ.

What we bore for Christ.

What we forgave for Christ.

Meekness is therefore not moral decoration.

It is preparation for eternity.

And for apostolate.

No one leads a soul to God by making that soul desire distance from the person speaking in God’s name.

Truth may hurt.

Correction may wound.

The Church may have to say “no” where the world demands “yes.”

But the hardness of truth does not authorise hardness of heart.

The surgeon cuts.

He does not hate the patient.

A father corrects.

He does not desire the humiliation of his child.

The Church condemns error.

She prays for the man who errs.

When these distinctions disappear, orthodoxy can become an instrument of the ego.

Then we no longer defend the deposit of faith.

We defend our temperament.

How, then, should we practise meekness?

Saint Alphonsus would likely be less impressed by theories than interested in the next action.

When provoked, do not answer immediately.

When correction is necessary, wait until anger has passed.

When treated rudely, do not imitate rudeness merely to prove that you noticed it.

When you fall, repent without turning repentance into self-hatred.

When a severe word is genuinely needed, ask whether you will speak it for God or for pleasure.

When you feel inflamed, be silent.

When evil can be overcome by good, do not choose evil simply because it seems faster.

And above all, love Jesus Christ.

Christian meekness does not arise from a psychological technique.

It arises from resemblance.

We become meek by looking at the Meek One.

It is not a communication method.

It is a conformity of heart.

Perhaps this is the prayer we need:

Lord, make me strong without making me harsh.

Firm without cruelty.

Clear without pride.

Able to correct without humiliating.

Able to suffer without performing my suffering.

Able to remain silent without cowardice.

Able to speak without anger.

Give me meekness that does not abandon truth and truth that does not abandon charity.

For the Catholic has not been called to be harmless.

He has been called to be holy.

And holiness, when it is true, possesses a strange strength.

It does not need to wound in order to overcome.

Fontes e documentos

Santo Afonso Maria de Ligório — The Practice of the Love of Jesus Christ, cap. II, “Charity Is Kind” (sobre mansidão), em The Complete Ascetical Works of St. Alphonsus, vol. VI.

https://en.wikisource.org/wiki/The_Complete_Ascetical_Works_of_St._Alphonsus/Volume_6/The_Practice_of_the_Love_of_Jesus_Christ/Chapter_2

Santo Afonso Maria de Ligório — The Practice of the Love of Jesus Christ, cap. VIII, “Charity Is Not Provoked to Anger” (sobre mansidão, ira, silêncio e correção).

https://en.wikisource.org/wiki/The_Complete_Ascetical_Works_of_St._Alphonsus/Volume_6/The_Practice_of_the_Love_of_Jesus_Christ/Chapter_8

Evangelho segundo São Mateus 11,29 — “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”

São Paulo — 1 Coríntios 13,4–5: a caridade é paciente e benigna, não se irrita.

Provérbios 15,1 — sobre a resposta branda que acalma a ira.

Imagem: A mansidão cristã: não ausência de força, mas força deposta sob a Cruz e governada pela caridade. — Gravura editorial do Scriptorium Fidei.

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